Thiago Pinhas: traço fino e toques de cor

Tatuador Thiago Pinhas

Thiago Pinhas é o grande responsável por termos chegado ao Porto. Ele já era nosso artista no estúdio do Rio de Janeiro, o Zero21 Tattoo Studio, quando surgiu a ideia de trazer a marca para Portugal. Junto com a Katryn Kischlat, ele transformou o sonho em realidade.

Versátil, Thiago é nosso especialista em traços finos, em diversos estilos. Ele também arrasa nas tatuagens com toques de cor, estilo aquarela ou colorido (com cores mais sólidas).

Toda essa experiência possibilitou que ele montasse o melhor time possível para o nosso estúdio do Porto. Quer saber mais sobre o Thiago Pinhas? Vem ler a entrevista.

 

Tatuador: Thiago Pinhas

 

A arte sempre esteve na sua vida?

Sempre gostei de desenhar quando criança e minha mãe sempre trabalhou com artesanato, o que me motivava um pouco. Fiz faculdade de design mas não terminei e depois comecei a trabalhar dando aulas de desenho e concept art, passando um pouco por modelagem 3D e tradicional.
Fiquei 5 anos dando aulas e depois migrei para a tattoo.

E a tatuagem? Como você decidiu entrar nesse mundo?

Aconteceu por influência de amigos e também o desejo de mudar de ramo. Já não estava tão satisfeito com as aulas e decidi tentar tatuar. Contei com a ajuda de amigos que me serviram de cobaia e do meu tatuador na época, que abriu as portas para que eu pudesse entrar nesse mundo.

 

Do Rio de Janeiro para o Porto

 

Tatuagem no Porto

Por que decidiu trazer o estúdio Zero21 para Portugal?

Quando entrei no Zero21 do Rio de Janeiro, gostei muito da forma como trabalhavam e do ambiente criado dentro do studio. Quando estava com tudo certo para vir morar em Portugal, decidimos trazer o estúdio e sua ideologia para cá. E deu super certo!

Como foi a adaptação em Portugal? É diferente de tatuar no Brasil?

É sim. Ao meu ver o mercado é mais lento e o gosto dos clientes é bem diferente. Apesar de que nesses quase 3 anos, muita coisa já mudou.

Chegando em Portugal, você também ensinou artistas a tatuar para montar a equipe do estúdio do Porto. Foi diferente de como você aprendeu a tatuar? Como é para você esse processo de ensinar?

Não muito. Sempre prego pela máxima de “talento não existe”, então tudo é baseado no treino. Quanto mais treinar, melhor vai ficar. E isso se aplica em qualquer lugar, até na tatuagem. Claro que com a orientação certa, o processo é facilitado. Sempre tento fazer isso quando ensino. Pego o que errei e tento simplificar, para que meu aluno não precise cometer o mesmo erro que eu já cometi no passado. Acho que deu certo, já tenho 4 tatuadores “formados” por mim e todos são realmente muito bons. Fico muito orgulhoso por isso, mas não por mérito meu, mais por eles não terem desistido durante o processo.

Tatuador de traços finos

 

Com quais estilos de tatuagem você trabalha? Você tem algum preferido?

Hoje faço mais fineline, blackwork, aquarela e um pouco de colorido. Gosto bastante de fazer todos. Não tem um que goste mais ou menos, varia muito do projeto também.

 

Tatuador Thiago Pinhas

 

Como é o seu processo de inspiração e criação de desenhos personalizados para tatuar? Você costuma criar o desenho junto com o cliente?

Eu prefiro criar com o cliente porque fica mais fácil organizar as ideias juntos do que eu trabalhar numa ideia que eu ache super legal e chegar na hora de tatuar o cliente não gostar e eu ter que começar do zero. Vamos ajustando detalhes juntos e vendo o que fica bom e o que não fica tão bom. Assim fica mais fácil.

Alguma história por trás de alguma tatuagem que você fez te marcou?

Muitas. Muita gente tatua por estética e sem tanto significado, mas tem muita gente que tem um porquê e isso muitas vezes emociona o cliente. Fico muito feliz por marcar alguém para o resto da vida. São quase 6 anos fazendo parte de muitas vidas e ouvindo muitas histórias.

 

Se quiser ver mais tattoos do Thiago Pinhas, segue ele lá no Instagram.

 

Katryn Kischlat: tattoos escritas com delicadeza

Tatuadora Katryn Kischlat

A Katryn Kischlat já estava aqui quando o estúdio ainda era apenas uma remota ideia. Sonhando junto com o Thiago Pinhas, seu marido, ela trabalhou para que o Zero21 Porto fosse o que é hoje. Mas isso foi antes de se transformar em uma das nossas artistas.

Ela ajudou a criar o estúdio e, no processo, também se transformou. Largou o jornalismo para se dedicar a escrever e desenhar letras, agora não só no papel. Hoje a Katryn traduz histórias e emoções em tatuagens escritas.

Nessa entrevista, a Katryn contou, entre outras coisas, como foi aprender a tatuar.

 

Tatuadora: Katryn Kischlat

 

A arte sempre esteve na sua vida ou foi uma descoberta recente?

Olha, acredito que a arte sempre esteve, eu só não tinha entendido (ou aceitado) que poderia ser uma profissão. Desde muito pequena eu adorava desenhar e pintar, os livros de colorir da Barbie eram um dos meus brinquedos preferidos. Quando tinha por volta de 8 anos, gostava de passar as tardes de férias na casa da minha prima, que é uma artista muito talentosa, porque ela me ensinava a desenhar. Nessa época, também brincava de criar minhas próprias revistinhas em quadrinhos, desenhando e escrevendo a história. Enquanto fui crescendo, acho que passei a acreditar que não tinha dom para a arte e fui me afastando. Acabei cursando faculdade de Jornalismo e trabalhei como repórter e também com produção de conteúdo para a internet.

E quando essa ideia de que você não tinha jeito para a arte mudou?

Mudou quando conheci o Thiago Pinhas. Contei para ele que sempre quis saber desenhar, mas achava que não tinha talento. Ele me fez entender que desenho pode ser aprendido e melhorado com estudo e treino. Comecei a aprender a desenhar com ele, depois fui procurando outras aulas e workshops.

As primeiras tatuagens

 

Como foi seu primeiro contato com tatuagem?

A primeira vez que entrei num estúdio de tatuagem foi para conhecer o lugar que o Thiago trabalhava, quando começamos a namorar, isso ainda no Rio de Janeiro. Depois voltei algumas vezes para acompanhar amigos que iam tatuar com ele. Confesso que na época não me imaginava como tatuadora, mais uma vez pensei que não tinha talento para isso.

Então como você virou tatuadora?

Quando nos mudamos para Portugal, comecei a trabalhar com ele para abrir o Zero21 Porto. No início éramos só nós dois, eu fazia o atendimento e toda a comunicação do estúdio, enquanto ele tatuava. Como eu passava muito tempo no estúdio, vendo ele tatuar, cuidando dos materiais, acabei aprendendo bastante. Mas mesmo assim, ainda não tinha começado a me interessar em aprender a tatuar. Por incrível que pareça, a ideia veio da minha mãe.

Zero21 Porto Tattoo

 

E como foi isso? Sua mãe te incentivou a aprender a tatuar?

Foi isso mesmo! A minha mãe disse que eu levava jeito para tatuagem e devia aprender com o Thiago. No início duvidei, mas a ideia foi crescendo na minha cabeça. Eu só decidi tentar quando descobri o lettering, que tinha tudo a ver comigo. Encontrei um caminho que podia me fazer juntar minha paixão por escrever com algo que semprei sonhei em fazer, que era desenhar. Enfim, eu ia desenhar letras. Então comecei a aprender com o Thiago, enquanto fazia todos os cursos e aulas de lettering e caligrafia que encontrava. 

Então temos que agradecer a sua mãe por ter você aqui com a gente?

Sim! E eu também agradeço muito. Minha mãe foi tão importante nesse processo, porque além de me incentivar a começar a aprender, ela também foi a minha primeira cobaia. Foi nela que eu fiz minha primeira tatuagem em pele de verdade (antes treinava em pele artificial, feita de borracha). Obrigada, mãe!

Depois da primeira tatuagem na sua mãe, como foi?

Para falar a verdade, depois da primeira eu quase desisti. Eu estava muito nervosa e o resultado não ficou bom o suficiente, na minha opinião. Mas acabei recebendo incentivo do pessoal do estúdio para continuar. Então tatuei o Thiago e outros artistas aqui. Depois atendi mais alguns amigos e amigos de amigos. Assim fui treinando em peles reais e ganhando mais experiência e confiança. Sou muito grata a todas essas pessoas que cederam um pedacinho de pele para eu treinar lá no início, porque elas sabiam que a tatuagem podia não ficar perfeita e mesmo assim aceitaram me ajudar. 

Para você, qual foi o maior desafio nesse processo de transição de carreira?

Acho que o maior desafio foi e ainda é superar o medo e acreditar que eu sou capaz. Trabalhar com tatuagem é uma responsabilidade imensa, porque estamos lidando com algo que vai ficar marcado para sempre na pele de alguém. Lidar com essa pressão não é fácil, eu me cobro demais para fazer tudo perfeito.

Tatuagens escritas com amor

 

Do que você mais gosta na tatuagem?

Eu adoro poder conhecer pessoas diferentes e suas histórias. E gosto ainda mais de poder ajudá-las a transmitir essas histórias e suas emoções para a pele. 

Tatuagem escrita por Katryn Kischlat

 

Até hoje, qual foi sua tatuagem mais desafiadora?

Eu já tive muitas tatuagens desafiadoras, cada uma por motivos diferentes, mas posso citar uma em especial, um pedido do meu cunhado. O Alexandre queria uma tatuagem de um símbolo matemático formado por diversos pequenos símbolos e números, para marcar a formatura dele no mestrado em Matemática. Era a maior tatuagem que eu já tinha feito até aquele momento, pegando toda a panturrilha. Além disso, eram símbolos que eu nunca tinha visto, diferentes das letras do alfabeto que já conheço e treino. Fiquei com medo de errar alguma linha de algum símbolo e acabar alterando o seu significado. Mas no final deu tudo certo e ele amou a nova tatuagem (tem foto lá no meu Instagram!).

Sua ideia é seguir fazendo apenas tatuagens escritas?

Eu realmente me encontrei escrevendo e desenhando letras. Quero continuar fazendo isso, me especializando para criar tattoos cada vez mais personalizadas e únicas. Também penso no futuro em começar a incluir alguns pequenos desenhos minimalistas nas escritas, mas não tenho ambição de fugir das minhas letras não.

 

Se quiser continuar acompanhando as escritas da Katryn, segue ela lá no Instagram.

 

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